Pesquisa versus opinião

Ser o melhor candidato não aduz relação com a possibilidade de êxito das pesquisas. Acostumados à influência das agências de propaganda – staff imprescindível ao resultado das eleições – a maioria do eleitorado brasileiro negligencia o poder analítico de sua memória e permite que as informações, massificadas pelos veículos de comunicação, exerçam o poder de decidir a escolha dos candidatos, a cada eleição.

É práxi que os concorrentes encomendem pesquisas para avaliarem a intenção de votos, e com uma boa dose de auto-sugestão conduzam o percentual de entrevistados na expectativa de induzir um nome.

Excetuando órgãos cuja seriedade oferece rigor técnico, como a Fundação Getúlio Vargas por exemplo, em avaliações de menor escala os resultados deixam a desejar e a credibilidade na tendência apontada deixa margem à duvida.

Qualificar um político como viável ou inviável não se define com a preferência de uma amostragem, até porque variáveis muito sensíveis como o nível de escolaridade do público eleitoral, a competência ou incompetência dos candidatos, a falta de concorrentes para acirrar a disputa eleitoral, entre outras, são aspectos bastante influentes na escolha.

Certamente, ainda que encontremos predicativos que nos façam considerar um político apto e competente, se o colocarmos sob um foco mais agudo, poderemos destacar o óbvio: são pessoas que possuem as mesmas subjetividades humanas, o que as incluem no rol da possibilidade de erro ou acerto ao manipular a esfera administrativa. O que varia é o nível da competência inerente a cada um.

As complexidades que formam um bom ou um mal político também emanam do caráter e não, necessariamente, do domínio prático. São inúmeros os casos de nomes experientes envolvidos em processos por mal uso do erário público.

Avançamos um período sensível, posto que eleitoral. E a indução das pesquisas, pesa nos resultados. Apesar de toda a liberdade democrática, ainda arrastamos uma imaturidade de pensamento, já que nem todos conseguem praticar a consciência política livre dos assédios eleitorais. Mas sempre há uma hora em que a necessidade nos torna mais exigentes e um momento bom para reclamarmos a qualidade também se dá por meio do voto.

PMDB lança pré-candidatos


Na última segunda-feira (09 de abril) o PMDB cachoeirense reuniu seus filiados para lançar os nomes que formarão a pré-candidatura para as próximas eleições municipais.

Em reunião aberta, as deliberações tiveram início com atraso, pois era esperada a presença de alguns filiados que compõem a pré-candidatura. O ex-deputado estadual Ari Brum, o secretário de agricultura Rafael Muzzi de Miranda e o atual vereador pela bancada peemedebista Edmilson Pereira (Mimisso) compõem alguns desses nomes.

De acordo com as últimas reuniões do partido, era cogitado que a executiva do PMDB não fechasse apoio a nenhum candidato, embora em reuniões anteriores o prefeito e também peemedebista Cica Machado tivesse proposto apontar um nome para ser apoiado nas próximas convenções.

Deixando clara a posição dos seus dirigentes, não surpreendeu que o apoio não fosse fechado, pois em apelo a uma linha democrática a executiva lança concorrência e assegura que os nomes apontados ainda passarão por uma triagem, que será a própria convenção em si. Independente da lista de nomes, o partido não tem como encerrada a concorrência. É viável que ainda insurjam novos nomes, mas esta possibilidade condiciona os pretensos à filiação partidária.

Dentre os candidatos a candidato temos Mário Júlio Siqueira, presidente do PMDB, Paulo Marinho Falcão, Ari Brum, Rafael Muzzi de Miranda e Edmilson Pereira (Mimisso), sendo que presentes à reunião estiveram somente os dois primeiro apontados.

O PMDB é uma das legendas mais fortes do município, dividindo esta característica com o PSDB. Devido a isso, sempre foi um partido cuja procura, em época eleitoral, recebe cobiça das mais variadas. À frente da executiva municipal, seus dirigentes operam propostas polêmicas, mas necessárias, e claro está que se o partido já tinha como marca várias correntes, hoje esta característica tem um peso muito maior, pois o modo como propõem reformas – por vias estatutárias - consolida um posicionamento muito mais firme e decisivo, o que faz com que o PMDB supere possibilidades previsíveis.

Embora os nomes já sejam velhos conhecidos na esfera política, com exceção do secretário de agricultura, o resultado das convenções poderá surpreender. Mas, a verdade é que a lista lançada de véspera demonstra que mesmo forte a executiva, o partido enfrenta uma grave fragilidade: não possui nomes que sejam politicamente impactantes (pelo menos até agora) ao ponto de induzir a fé do eleitorado. Disputas e perfis a parte, o que reflete hoje a lista de nomes do PMDB é o que se sente em relação a todos os partidos de Cachoeiras de Macacu: a ausência de um nome cuja vitória política se faça bem mais por mérito que pelo dinheiro dispensado nas campanhas eleitorais. E isso é válido tanto aos candidatos cujos perfis são adequados quanto aos menos afortunados. Ainda é a regra que impera em nosso território político, lamentavelmente válida não só para os peemedebistas.

Vem pesquisa por aí


Ser o melhor candidato não tem necessariamente nenhuma relação com a possibilidade de se eleger. Acostumados à influência das agências de propaganda – staff imprescindível ao resultado das eleições - o eleitor brasileiro negligencia o poder analítico de sua memória e permite que as informações massificadas pelos veículos de comunicação exerçam o poder de decidir a escolha dos candidatos a cada eleição.

É práxi que os concorrentes encomendem pesquisas para avaliarem a intenção de votos, e com uma boa dose de auto-sugestão conduzam o percentual de entrevistados na expectativa de induzir um nome. Excetuando órgãos cuja seriedade oferece rigor técnico, como a Fundação Getúlio Vargas e o GALUP por exemplo, em avaliações de menor escala os resultados deixam a desejar e a credibilidade na tendência apontada deixa margem à duvida.

Qualificar um político como viável ou inviável não tem haver com a preferência insurgente de uma amostragem, até porque variáveis muito sensíveis como o nível de escolaridade do público eleitoral, a competência ou incompetência dos candidatos, a falta de concorrentes para acirrar a disputa eleitoral e etc. são aspectos bastante influentes na escolha deste ou daquele candidato mostrado na pesquisa.

Certamente, ainda que encontremos predicativos que nos façam considerar um político apto e competente se o colocarmos sob um foco mais agudo iremos destacar o óbvio: são pessoas que possuem as mesmas deficiências do que nós, o que varia é o campo da competência e da incompetência de cada um.

As complexidades que formam um bom ou um mau político também emanam do caráter e quanto menos conhecemos os concorrentes, mais chances temos de julgar pelas aparências. Recordo o caso Collor: maior público eleitoral votante formado por mulheres, segundo pesquisa de época, por ser noviço de português fluente e de boa aparência. E pensar que o nível de escolaridade dessas mulheres provinha de uma classe média condenada à decadência após o Plano Collor!

Hoje os resultados das pesquisas contam com o mesmo público eleitor que se distrai votando para a Casa do Big Brother. Dependendo desses eleitores, como levar a sério as pesquisas?! Ou melhor, como levar a sério os resultados?!

Políticos de confraria


Chegamos em mais um período eleitoral e o que vemos é ainda o que se repete a cada quatro anos: partidos abastecidos de pessoas que rompem com a inércia e firmam o exercício de uma razão temporária, posicionamentos contra e a favor de quem vem, a atenção acentuada sobre a imagem dos elegíveis e o conteúdo crítico afetado pelo conteúdo belicoso dos candidatos.

Esta é a pratica a que estamos acostumados. Uma política que se consagra com a quantidade, o exercício forjado por uma sigla, posicionamentos eivados pelo autobenefício e pouca coerência na concorrência e na hora de avaliar que a melhor representação não é aquela que melhor servirá a categorias isoladas, mas a comunidade como um todo.

Nos ocupamos pouco sobre política. Sabemos sobre o que assistimos, lemos ou que nos interessa, particularmente. Somos conduzidos pela mídia, pelo marketing eleitoral, pelo discurso demagógico e pela necessidade. Pasmem! Como pagamos caro pelos políticos de confraria.

Na democracia representativa, a quantidade se sobrepõe à qualidade, mas esta é uma realidade transformável no campo das idéias e das atitudes, porque a alienação alimenta o Leviatã (o monstro mitológico dos mares que devora os peixes pequenos) e a falta de atitude proporciona a sua engorda.

A política equilibrada não depende apenas de bons políticos, depende de exigirmos grande parte do que nos é devido e assumirmos o galope selvagem das gestões públicas. É possível? Perfeitamente, as ONGS estão aí para lançar o exemplo.

Os políticos de ofício devem ter, é claro, percentuais muito justos de qualidades que os tornem aptos a gerir a vida pública. No mais apenas dependem de nossa fiscalização e do nosso voto.

Passagem


A passagem do ano é um período em que realizamos uma autocrítica e nos motivamos, sem falsa predisposição, a executar as decisões importantes.

Pausando a correria, refletimos sobre o que o cotidiano até então não permitia, e entre o óbvio e a descoberta, muitos de nós tardamos um sentimento de bem estar por não colocarmos em prática algo que poderia ter feito toda a diferença. Entre perdas e danos vale lembrar que o saldo será sempre positivo se a perspectiva se mover em direção ao que ficou de precioso: saúde, família, amigos e o amor.

Passando por ele, atravessamos o Tempo e abraçados pela Vida, cá estamos a realizar todas as manhãs o fenômeno maravilhoso da existência. Sim, viver é maravilhoso! E melhor é poder compartilhar com os que amamos: dotado do espírito gregário, o que seria do humano sem o a amor para compartilhar?

Grata, não quero falar sobre política, sobre guerra, sobre a dor existente no mundo. Tudo isso é pouco e demais para cada um de nós e como diz Caetano “gente é pra brilhar”.

Assim como a fome, a guerra, a desigualdade e a injustiça, o belo é também comovente e se não produz lágrimas, espalha entre nós um sentimento do quanto vale a pena ser e contemplar, com olhos sensíveis, isto o que se chama Vida.

A esperança no olhar do meu filho, o amor recebido daqueles a quem amo e saber que estou cá para cumprir o dever de evoluir e tornar útil a minha existência são graças cotidianas que me dão a dimensão de um elo maior com a constituição do universo e seu Criador...

Sem grande sentido poético – porque poesia é também amor e dor – venho dizer que se 2007 não aspirou boas palavras, não faz mal, ficou no ar algum silêncio com aroma de chuva e paz de vento bailando sobre as cortinas.

E o que foi feito do riso? Está em algum luar atravessando a janela, os painéis da memória e nos fazendo lembrar de um verão movido a pés descalços sobre areias mornas.

É claro, existe um ente que se perdeu, mas corre no sangue o privilégio por ter sido ele o responsável por lágrimas de amor e de alegria.

Se a fé foi pouca e a dúvida amiúde, puderam os olhos constatar novas paisagens, com direito ao frescor verdejante e uma amendoeira a sombrear o chão.

Que 2008 nos traga um amor ilimitado e possa ele tecer verdades novas, vasculhar as nossas emoções, os nossos desejos e proporcionar um reencontro genuíno de nossas vidas com este lado mágico de essência que carregamos dentro da gente.

Seja o nosso desassossego transformado em sentires inesgotáveis, e um pulsar palpitante quanto necessário venha se opor aos abismos cotidianos.

Que sejam teus passos, Gabriel, o lembrete diário de que cada um de nós traz em si um enorme oceano com espaços abertos ao sentimento, aos ideais, e aos sonhos - conduzidos a vento e velas sobre o perfume das ondas.

Felicidades para 2008!

Panorama político


O momento pré-eleitoral traz consigo a exigência de estratégias afiadas para o podium das disputas. Em Cachoeiras de Macacu ainda é cedo para se definir por candidato A ou B, no entanto, em tempo para estabelecer critérios muito bem alinhavados de concorrência, pois o cronômetro avança enquanto a reforma política afetou, principalmente, aqueles adeptos da dança das cadeiras e os partidos ditos de menor potencial legendário.

Ouço, com muita expectativa, as apostas em nomes até então não cogitados. Tanto para o Executivo quanto para o Legislativo despontam figuras cercadas de alguma “voluntariedade” aspirando algo novo e pouco convencional, como se se restassem cansados da velha máscara do poder reinante.

Críticas a parte, o que parece revitalizante é esta sede de mudança acompanhada de um certo “ideal” compreendido pela mobilidade que ocorre de tempos em tempos, sem que seja necessária uma análise muito aprofundada para entendê-la - e que Platão me desculpe!

Os jovens não parecem tão críticos quanto seus pais, mas parecem bastante mobilizados para que ocorra a transição entre um engravatado e outro. Não há nenhum fenômeno nisto, o que ocorre é que estão cansados, como nós, de acreditarem que a saída está nas mãos dos políticos. Mais espertos do que a nossa geração, enxergaram que o poder institucionalizado só funciona no tranco como um carro velho despencando ladeira a baixo. O parâmetro que nos têm dado é o mais catastrófico possível: - as pontes só serão erguidas se houver grave acidente, os postos só funcionarão quando os leitos dos hospitais estiverem cheios, a comunidade X só será atendida quando seu voto for conveniente ... Nossos jovens têm visto o que a soberba experiência subestima: a coisa está mesmo funcionando só a base de tranco. Os maiores de trinta talvez não sejam tão ousados porque a tendência da geração é repetir um padrão: ou se é situação ou oposição, mas os jovens, estão mais ousados, mais atentos, sabiamente engajados numa necessidade de aguda de mudança - até a palavra revolução me parece idéia ultrapassada. Melhor do que nós, irão às urnas mais ávidos por mudanças, e sem medo de errar já estarão decididos sem o mesmo comprometimento político que afeta a nossa geração.

Confio nos moços e como diria a poetiza Adélia Prado, se lhes roubam a poesia eles olham pedra e vêem pedra mesmo, expondo os espelhos com provocações.

Que nos contagiem os moços, renovar é preciso! Nossos espelhos não têm nos mostrado nenhuma Cinderela, apenas pedras em teto de vidro partindo em qualquer direção!

Os vermes do poder

A reforma ética - algo necessário na política – está confiscada pela sociedade, na medida em que é negada pela conduta humana, sintomaticamente viciada a um paradigma ofensivo, por ser, na maioria dos casos, assentada numa forma suja de entendimento do que é ser político ostentando o espírito de abutre.

Longe de alcançar uma dinâmica salutar, esta mesma sociedade acostumada à decadência de procedimento, preenche os partidos, criando para as instituições do poder um ambiente desfavorável à essência das leis, da justiça, do discernimento e das igualdades e liberdades em amplo sentido. Comprometida a práxi, que noção equivocada nasce então para a democracia?

A responsabilidade despontada pela política partidária – o veículo soberano do ofício político – assim adoece, pois se não está confinada a algum tipo de dogma é vítima dos canalhas e dos seus adeptos.

Manietada por pessoas de um mau caráter exemplar, a ausência de valores cria um estado coletivo, que por maldade e medo não admite qualquer concepção contrária ao padrão de comportamento, onde serão vistos como ameaçadores os que se valem de orientações pautadas na ética como um imperativo categórico.

Tem sido assim desde os tempos de Sócrates: quem desconhece o trágico fim do filósofo condenado à cicuta por ameaçar não o império, mas a mentira e a egolatria do poder? Por isso, os vilões criam os mártires, pessoas cuja humanidade não difere dos demais, senão no modo de exercerem as mesmas atividades sem manchar o caráter em atitudes depreciáveis e mesquinhas. Temperamento de régulas, o único senso coletivo de que se valem é o de criar consenso para devorar quem lhes desguarnece o âmago de honra pouca, aprisionado à ode da mediocridade.

Por privação de qualidade, desempenham um único papel primordial: o de imprimirem na história a diferença entre os homens de via fácil e os que alçaram as vias evolutivas. Em caminhos opostos distinguem os vermes dos libertários.

Plagiando José Lins: “vem por aqui dizem alguns, certos de que seria bom se outros os ouvissem quando dizem vem, vem por aqui”. E como o átomo a mais que se animou, a maestria é essa, existirem os que dizem “não, não vou por aí”: homens que preferem seguir por onde lhes guiam os seus próprios passos, a circular nas veias dos vossos guetos lamacentos.